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Surf no lixo contemporâneo: a que ponto chegamos! E que mundo deixaremos de herança para Keith Richards?

quinta-feira, 8 de maio de 2008


...E a hiena provocou a ministra

Ontem, na Comissão de Infra-estrutura do Senado, ouviu-se a voz de uma hiena escravocrata, o senador do DEM, Agripino Maia (RN). Ex-militante da ditadura militar, que prendeu, torturou, fez desaparecer opositores ao regime (1964-85), ex-parlamentar da Arena, aglomeração eleitoral de civis que sustentaram o golpe militar e mantiveram o regime, o senador referiu-se ao governo Lula como “regime de exceção”.

Para o senador potiguar, a montagem de um suposto dossiê contra o ex-presidente FHC e sua mulher, Ruth Cardoso, revela que o governo Lula quis “colocar pessoas contra a parede”. Ao perguntar à ministra Rousseff sobre o famigerado dossiê, marcado por um tom provocativo e inquisitorial, o senador que é representante de uma velha oligarquia escravocrata nordestina, recebeu a seguinte resposta:

- Senador, não há diálogo entre a corda e o pescoço!

Assista o vídeo aqui.

Foto: Antônio Cruz, da Agência Brasil.

16 comentários:

Anônimo disse...

a foto diz tudo. esse senador Garibaldi é muito hilário

ele baba pela ministra

Anônimo disse...

foto do ano!

Anônimo disse...

A grande jornada de Dilma Rousseff

Mauro Santayana, Jornal do Brasil, 8.5.08

A senhora Dilma Rousseff está submetida, como todos nós, aos limites da condição humana. Esses limites se estreitam, ainda mais, em seu caso, quando ela exerce a chefia da Casa Civil da Presidência que, em nosso caso, quase equivale ao de premier dos sistemas parlamentaristas. Tendo optado pela vida pública, a senhora Rousseff entende que o poder reclama sacrifícios, entre eles o da paciência diante dos opositores. E sua paciência foi muita na jornada de ontem.

Os debates de ministros com o Parlamento se tornaram mais freqüentes, em nosso caso, depois da Constituição de 1988. As discussões sobre o novo sistema de governo, antes da convocação da Assembléia Nacional Constituinte, indicavam a possibilidade da mudança do regime, de presidencialista para parlamentarista. Com a chefia do governo e do Estado em uma só personalidade, as crises de governo se tornavam quase sempre crises de Estado. Dessa forma, a Comissão de Estudos Constitucionais, prevista por Tancredo e presidida por Affonso Arinos, tendia para o sistema de gabinete. Mesmo na Comissão Arinos – da qual participei – houve dúvidas sobre a oportunidade de se mudar um sistema que vinha desde 1891. Como a Comissão não tinha poder senão o de sugerir idéias aos constituintes, os únicos com legitimidade para elaborar a nova Carta, optou-se por propor saída conciliatória, uma espécie de compromisso entre os dois sistemas, acompanhando os exemplos, entre outros, da França e de Portugal. Ao final, apesar do regime aprovado, ficou um pouco de parlamentarismo na alma do documento.

No presidencialismo tradicional era muito rara a convocação de ministros ao Congresso, a fim de prestar contas, embora fosse autorizada pela Constituição. Quando compareciam diante das comissões temáticas, como as de finanças, eles não eram inquiridos, mas davam informações que contribuíam para o andamento dos projetos de lei. Depois do período ditatorial de 1964-85, a Constituição de 1988 restaurou a principal prerrogativa dos parlamentos, de fiscalizar a atuação do Poder Executivo.

Sendo assim, a Comissão de Infra-Estrutura do Senado convocou a ministra Rousseff para falar sobre o PAC – embora a intenção fosse a de intimidá-la nas perguntas sobre os cartões de crédito corporativo. Se, depois de sete horas de inquirição, o cansaço provocou alguma e irrelevante hesitação da ministra no esclarecimento de detalhes menores ao responder a perguntas sobre o PAC, o encontro revelou a pobreza deplorável da oposição. Alguns parlamentares perderam o resto da elegância que poderiam ter, ao ouvir qualquer pessoa e, mais ainda, uma senhora.

Não se tratava de esclarecimentos necessários, ou não, mas da montagem de espetáculo televisivo. Mas, se a oposição se excedeu, muitos parlamentares situacionistas não se saíram melhor. O suplente Wellington Salgado poderia ter sido mais contido. A tentativa de entrega de um presente à ministra, sob a explicação canhestra de que, sendo ela mãe do PAC, merecia um mimo pelo Dia das Mães, foi gafe imperdoável. Com o gesto, provavelmente ingênuo, deu oportunidade ao senador Heráclito Fortes para intervenção indelicada para com a senhora Rousseff, ao lhe pedir que mostrasse o presente, que ainda não lhe fora entregue, e acabou sendo recolhido pelo senador por Minas.

O que se viu dá para acrescentar mais desalento ao desalento geral da cidadania, com a atuação atual do Parlamento. Ele só se redime em raros lampejos de lucidez. No passado eram também comuns episódios grotescos, tanto no Brasil como no exterior, mas nunca desceram tanto, lá como aqui. Os oposicionistas poderão oferecer a versão que desejarem sobre a inquirição de ontem, mas não há dúvida de que Dilma convenceu a opinião pública pela serenidade e firmeza das respostas.

O senador José Agripino tentou ser irônico, em uma advertência infeliz à ministra, ao lembrar declarações suas, de que mentira quando presa pela ditadura, a fim de não delatar ninguém. Com a sutileza de lenhador, sua excelência recomendou a Dilma que não repetisse tal procedimento ao depor no Senado. Isso bastou para que a militante do passado se erguesse, em seu orgulho moral, e levasse a oposição às cordas do ringue. Naquele mesmo momento, a senadora Roseana Sarney pôde concluir que a ministra ganhara o debate.

[ 08/05/2008 ] 02:01

Anônimo disse...

A fotografia é du carvalho.

Anônimo disse...

Garibaldi não está babando, está só dizendo por dentro:
- Qui mulé, meu Padim!

Tavares

Anônimo disse...

Faço força para ser simpático com a Folha de SP, inclusive já fui assinante, mas a foto da Dilma na capa, na edição de hoje, é lamentável. Existem muitas formas para desconstituir um adversário e uma estratégia icnográfica é uma delas. Foi o que fizeram com a candidata Dilma.

Carlos Eduardo da Maia disse...

O sonho dourado de qualquer governo é ter uma oposição capitaneada por José Agripino Maia. Ontem ele ganhou o oscar da insensibilidade e incompetência e a toda-poderosa Ministra Dilma Rousseff teve a oportunidade de mostrar ao Brasil todo o seu potencial para ser a sucessora de Lula.

Anônimo disse...

Senador com cara de Maria Madalena arrependida, teve ontem a resposta merecida por parte da ministra. Canalha acostumado a servir os poderosos, primeiro na Arena, depois no PDS e, ultimamente, no Pefelê, sempre pousa de democrata, escondendo as garras fascistóides. Foi burro, pois sua provocação logo no início da audiência, colocou um fim na arrogância desses senadores oposicionistas, a maioria oriundas do norte e nordeste, escravocratas e coronéis.

armando

Carlos Eduardo da Maia disse...

Dessa vez, estou de pleno acordo com o Armando....

Guga Türck disse...

Dilma arrebentou.

Não sei se é gremista, a ministra, mas pelo jeito que botou pra dentro a bola picando - e pela fase do meu Tricolor - acho que não...

Foi pra galera, como diz o outro.

Anônimo disse...

O retrato oposição está no Agripino Maia - Virgilio.

É triste ver o país com uma oposição destas. Agripino, Cezar e Calos Maia, é muito triste.

Porque não falam mais do "dossiê" lançado pelo Alvaro Dias, que tanta gritaria fizeram com o apoio do PIG?

Claudio Dode

Carlos Eduardo da Maia disse...

Cláudio, qual a diferença entre dossiê e banco de dados? E por que banco de dados de FHC pode ser divulgado, como disse Dilma ontem e banco de dados da família Lula da Silva não pode?

Anônimo disse...

Tadinho do Maia:

As despesas do Presidente da República que possam indicar algum hábito (um exemplo simples: comprar determinada comida ou bebida em detrminado lugar) e podem colocar em risco a segurança do Presidencia da República, aí são sigilosos.

Quando ele deixa de ser presidente alguma indicação de hábito,deixam de colocar em risco a segurança da Presidencia da República.

Ontem FHC (e a família) era a Presidência da República.

Hoje A Presidência é o Lula (e a familia).

Quer que soletre!!!

Claudio Dode

Anônimo disse...

Ô Maia,

De novo!? pensei que depois de ontem tu e o Agripino tivessem um sossego.

Mais vai lá bem simplesinho: Tu pegas uma série de dados e vai jogando numa planilha e organizando conforme forem as tuas demandas. Pronto tens um banco de dados. Tipo das contas de armazem que antigamente usavam o caderno. Lembra?

Isto! Entendeu?

Muito bom!

Aí chega uma Tia histérica e pega o banco de dados (o caderno do armazem) e sai falando as contas dos vizinhos. Tipo Fofoca de Tia solteirona, sabe? Sai espalhando as informações sobre a vida economica dos vizinhos.

Pronto, o Banco de Dados do Armazem, virou dossiê na mão da tia histérica.

Entendeu?

Depois de ontem os Maias não deviam falar mais em dossiê, nem em mentiras...

Claudio Dode

Anônimo disse...

Incrivel como o Claudio Dode é burro e ignorante.

Anônimo disse...

Anônimo,

Incrível é não poder mostrar a própria ignorancia e burrice, pela dimensão da covardia.

E o Olivio continua morando na mesma residência.

Claudio Dode

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